#74 – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (Män som hatar kvinnor)

Os homens que não amavam as mulheres Direção: Niels Arden Oplev
Duração: 152 minutos
Ano de lançamento: 2009
Prêmios:
– 16 prêmios em vários festivais mundiais.

Fiquei sabendo deste filme através do lançamento de sua versão ‘hollywoodiana’ a uns 2 anos atrás. Na época ouvi comentários dizendo que a versão original era melhor e não me interessei em assistir nenhuma das duas. Quando esbarrei com a tal versão original no Netflix resolvi ler um pouco sobre e descobri que ambas são adaptações de um livro de 2005, o primeiro volume da trilogia Millenium, do autor Stieg Larsson.

Não li o livro, não assisti a versão americana e gostei do que encontrei na filmagem Sueca. Personagens bem interpretados, alguns clichês aqui e ali que não chegam a ofender e algumas cenas bastante intensas. A própria história é bem interessante pois nos põe a pensar na situação da mulher dentro da sociedade nas últimas 5 décadas, pelo menos. São mostrados os vários abusos cometidos contra as mulheres e suas reações perante à humilhação física e moral.

Ainda hoje, infelizmente, crimes dessa natureza são um tabu para a sociedade e acontecem muito mais do que gostaríamos. Deveríamos encarar a realidade e discutirmos mais abertamente o assunto, quem sabe poderíamos evitar alguns desses incidentes que não acometem apenas as mulheres…

Há também outros elementos que acompanham e dão corpo ao filme: Obsessão, transgressão, fanatismo e medo são alguns dos que consigo me lembrar agora. Sim, o filme é tenso, instigante, traz questões polêmicas e vale a pena ser assistido. Pretendo continuar com a trilogia…

Abraços e até mais!

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#73 – A Caça (Jagten)

Jagten Direção: Thomas Vinterberg
Duração: 115 minutos
Ano de lançamento: 2012
Prêmios:
– Ganhou 38 prêmios em diversos festivais mundiais

Em tempos de “justiceiros” e caça às bruxas, precisamos cada vez mais pensar e repensar o nosso papel de cidadãos dentro da sociedade. Comportamentos, decisões e credos mal fundamentados podem afetar de forma muito intensa a vida das pessoas. Este filme dinamarquês é um belo início para reflexões dessa natureza.

Fato é que muitos ainda não possuem maturidade suficiente para lidar com situações do cotidiano, mesmo que de fato elas nem tenham acontecido. A cegueira que impede a racionalização é a mesma que deseja julgar e punir com as próprias mãos. Isso acaba por criar um senso coletivo de verdade absoluta, onde mesmo nos casos em que tudo é devidamente esclarecido, as pessoas não conseguem aceitar. O personagem principal do filme, interpretado com maestria pelo ator Mads Mikkelsen, vivência na pele todo esse ódio e intolerância dos que o cercam, e tudo baseado em falsas acusações proferidas por uma criança. Por incapacidade de discernimento tudo se transforma em algo grandioso e dolorido, criando manchas que talvez jamais possam ser apagadas.

Essa reportagem do G1 lida recentemente traz vários casos, análises, opiniões e números desse fenômeno de irracionalidade que está em alta no Brasil, vale muito a leitura! Citada na mesma reportagem há uma obra de arte, em exposição no Museu do Holocausto Negro na América, cujo nome poderia resumir muito bem esta película da qual estamos falando: Forgive but never forget

Forgive-But-Never-Forget

Os danos causados por ações absurdas, as que acontecem na vida real e/ou a retratada em A Caça, são praticamente irreparáveis, tanto para as vítimas como para os que as cercam. Então, por favor, parem de divulgar vídeos da Rachel Sheherazade que incentiva e incita esse tipo de barbárie e veja logo este filme (tem no Netflix), tenho certeza que você estará contribuindo muito mais para a evolução de si mesmo e da sociedade.

Abraços e até o próximo!

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#72 – X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of the Future Past)

Poster de X-Men

Elenco
Direção
Roteiro
 
 
 
 
 

E ae cambada, primeira analise de um filme nerd/geek no blog não poderia ser outro além de X-Men (meus personagens preferidos dos quadrinhos), tudo bem que já tivemos outros filmes esse ano (Capitão América, Homem-Aranha e Godzilla) mas essas criticas virão futuramente.

O novo filme dos mutantes é baseado em uma das mais clássicas histórias dos personagens, mostrando um futuro aterrador para os mutantes onde a intolerância e o medo alcançaram indíces absurdos.

Assim como na história original, a única chance de salvação reside no passado, alterar os eventos que geraram esse futuro catastrófico, entretanto ao contrário da HQ quem volta no tempo é Wolverine e não Kitty Pride e nesse ponto cabe minha primeira observação, Sou um fã de X-Men desde criança, tenho quase tudo que foi publicado no Brasil com os personagens, inclusive edições da finada revista Heróis da TV e Superaventuras Marvel onde os mutantes foram publicados pela primeira vez antes de terem uma edição mensal própria, incluindo ai a primeira vez que “Dias de um Futuro Esquecido” foi publicado no Brasil e digo para todos os fãs como eu: “ESQUECE A PORRA DO GIBI!!!” Sério, adaptação é a palavra chave aqui, encare o filme como um universo paralelo e divirta-se esse é meu conselho para os fãs das antigas.

Dito isso, vamos ao que realmente interessa, como filme, é bom ou não?

Eu sai do cinema de boca aberta, achei muito bom o filme, roteiro interessante, cenas de ação excelentes, humor na medida certa e atuações acima da média nos filmes.

Sem estragar o filme para quem ainda não viu, vou citar algumas das coisas que eu gostei:

  • Cena de abertura sensacional, a equipe de X-Men do futuro lutando é fantastico, uma sincronia perfeita no uso dos poderes e os Sentinelas são realmente ameaçadores, vilões que conseguem mostrar o porque dos mutantes estarem a beira da extinção;
  • Mercúrio, tem uma participação pequena mas fundamental a trama e a cena de ação dele é realmente impressionante;
  • Finalmente vemos Magneto exibindo seu real poder, tanto na versão anos 70 quanto na versão futurista;
  • O foco da história NÃO é o Wolverine;
  • A Cena pós crédito é simplesmente foda, uma grata surpresa para os fãs dos quadrinhos e já um vislumbre do próximo filme, que inclusive se chama “X-Men: Apocalypse” (entendedores entenderão);
  • O Trio “Jennifer Lawrence, Michael Fassbender e James McAvoy” conduzem seus personagens com maestria, dando profundidade as motivações de cada um.

Coisas que me incomodaram:

  • Não existe explicação para o Xavier do futuro estar vivo no seu próprio corpo, afinal no final de X-Men: The Last Stand o Xavier havia migrado sua mente para o corpo de outro cara, além disso ignoraram o fato do Wolverine ter perdido as garras de adamantium no último filme solo do personagem, entre outros furos de roteiro;
  • A explicação para o Xavier voltar a andar e o Fera controlar sua mutação não só me pareceram bem bobas como desnecessárias para a trama;
  • Alguns pequenos furos de roteiro, como o fato do governo ignorar os mutantes, não conhecer os poderes do Magneto mas terem criado armas e uma prisão de plástico para ele;
  • Apesar da cena final ser muito bacana eu senti falta de uma ligação real com a trama de Dias de um Futuro Passado.

Concluindo, de maneira geral, eu achei o filme sem sombra de dúvidas o melhor da franquia, o uso dos poderes dos mutantes está realmente impressionante, a escala das batalhas é mais grandiosa, a trama é mais envolvente e o humor é na medida certa, tem certos furos no roteiro mas não é nada que comprometa o filme e ainda abriu caminho para novos filmes dos mutantes.

PS: Para quem já viu e não entendeu a cena final, fique com esse link: En Sabah Nur

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#71 – Azul é a cor mais quente (La vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2)

Azul é a cor mais quente Direção: Abdellatif Kechiche
Duração: 179 minutos
Ano de lançamento: 2013
Prêmios:
– Palma de Ouro em Cannes 2013
– 40 outros prêmios em diversos festivais mundiais

Hoje temos mais um título francês. Diferente de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, este é intenso. É praticamente impossível permanecer indiferente aos personagens e seus medos, receios e sonhos. O principal argumento do filme é um assunto que está em alta, principalmente aqui no Brasil: o relacionamento homosexual.

Não acompanhei nem assisti a tal novela das 8, onde os atores que representavam um casal homossexual protagonizaram um beijo gay no último capítulo. Isso repercutiu em tudo quanto é rede social e/ou sites de notícias e ainda continua rendendo assunto. Hoje mesmo eu li uma reportagem sobre um pastor que entrou com uma ação judicial contra a rede globo por causa da cena. Fato é que ainda ainda existem pessoas muito ignorantes e quadradas, como é o caso do tal pastor, que disseminam esse pensamento homofóbico e acabam incitando, mesmo que inconscientemente, o ódio, o preconceito e a desrespeito ao próximo.

Para o homossexual imagino que já seja suficientemente constrangedor perceber que sua atração e tesão são motivados por outra pessoa do mesmo sexo, e que isso na maioria dos casos difere da maioria. Imaginemos isso na adolescência, onde já existe a dificuldade de ter que lidar com o processo de aceitação pessoal e do grupo ao qual estamos inseridos. Onde houver preconceito, julgamentos precipitados e ódio, essas pessoas tenderão a se esconderem, a se reprimirem e a se isolarem para terem ao menos um pouco de paz.

Adéle, uma das personagens principais, vivência todas essas experiências negativas no primeiro 1/3 do filme. Quando ela conhece e se apaixona por Emma, a tensão dá lugar a paixão e passamos a acompanhar os dias agradáveis que se seguirão. A partir do momento em que tudo parece estar em perfeita sintonia, o drama passa a ser focado no relacionamento. As emoções e frustrações compartilhadas, a solidão mesmo estando na multidão, submissão, euforia, entre outros, são tratados no universo íntimo das personagens.

Muito se comentou sobre a cena de sexo lésbico que dura +- 10 minutos. Bom, a cena por si só ou em outro contexto seria bem pornográfica, ou no mínimo erótica. Porém ela está tão bem inserida no contexto dramático que se torna bela e poética. É possível ver a intimidade, a cumplicidade, a paixão, o amor e é claro, o prazer em cada segundo da cena, incrível!

É destaque a atuação da atriz Adèle Exarchopoulos, que conseguiu representar com maestria a evolução de sua personagem.

Quem ainda não o fez, não deixe de conferir esta obra!

Abraços e aguardem que logo virão mais textos, não estou conseguindo escrever no mesmo ritmo que assisto.

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#70 – O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain)

Amelie Poulain Direção: Jean-Pierre Jeunet
Duração: 122 minutos
Ano de lançamento: 2001
Prêmios:
– 54 prêmios em diversos festivais de cinema do mundo

Está aí um título que eu nunca havia assistido por puro preconceito, por pensar que era um filme chato para mulheres. Bom, as vezes pelos cartazes, trailers e opiniões alheia acabamos julgando mal e criando barreiras que nos afastam de boas produções. Ainda bem que também existem influências positivas, de pessoas que nos incentivam e nos empolgam a deixar de lado todo o preconceito e encarar certas obras. Se eu não tivesse gostado ou confirmado minhas expectativas, o que não é o caso, pelo menos poderia falar com propriedade de quem assistiu e tirou as próprias conclusões.

Para a minha feliz surpresa foram 2 horas de pura de diversão e reflexão assistindo Amélie e suas aventuras. Através de situações simples do cotidiano vistas por um ângulo incomum, o diretor consegue nos mostrar que muitos dos prazeres da vida estão nas pequenas coisas e gestos. O mais legal é se identificar com alguns e perceber que de uma forma ou outra acabamos escondendo e/ou fingindo não gostar por não serem socialmente adequados ou por vergonha. Me fez pensar nas pessoas que por vezes julgamos esquisitas ou que apenas diferem de um padrão criado, elas podem ser apenas mais corajosas que nós mesmos para assumir certos prazeres e comportamentos. Quem nunca fez e refez coisas aparentemente simples e bobas apenas pela sensação momentânea de prazer e depois se sentiu meio babaca? O que pode parecer loucura, insanidade e inaceitável pode também revelar sensações e prazeres únicos para cada um de nós.

Tenho plena certeza de que me lembrarei desse filme quando novamente eu presenciar alguém se agonizando com o garfo raspando as embalagens de pizza ou se deliciando ao mastigar estanho (casos verídicos, acreditem ou não!)

Apesar da história ser narrada de forma bem rápida e das situações e personagens serem bem caricatos, assistir é bem divertido, cômico e leve depois que você se acostuma. Valeu muito a experiência e por isso recomendo!

Abraços e até os próximos filmes, estou com vários na fila de espera… =)

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#69 – Um Conto Chinês (Un Cuento Chino)

Um conto chinês Direção: Sebastián Borensztein
Duração: 93 minutos
Ano de lançamento: 2011
Prêmios:
– 11 prêmios em diversos festivais de cinema com destaque para o diretor

Mais um título sul-americano, bem mais leve que o último, mas não menos interessante. Apesar de tender ao drama, há várias pitadas de humor. Rimos porque certamente agiríamos como os personagens caso estivéssemos vivendo a situação retratada. Ou seja, é engraçado porque não existem piadas prontas, e sim momentos nas quais poderíamos estar inseridos.

Quando disse que tendia para um drama, tomei como base algumas questões emocionais/existenciais retratadas: empatia, solidão, lembranças, frieza, amor, dentre outras, e tudo isso sem ser piegas.

O final acaba sendo ao mesmo tempo surpreendente e sarcástico (só assistindo para entender o sarcasmo), a ponto de pensar sobre todos esses eventos absurdos e inusitados que existem no nosso dia-a-dia: será que são tão sem propósito assim? E se todas essas experiências, por mais incabíveis que sejam, nos levassem para lugares melhores e nos tornassem mais humanos? Será que o acaso também não faz parte da nossa história? Somos tão auto-suficientes e egocêntricos que não aprendemos nada com outras culturas e pessoas? Infelizmente muitos acham sim… E vocês!? Pensem…

É importante seguirmos nossa intuição e valores pessoais diante dos eventos que nos pegam desprevenidos. Nem sempre teremos sucesso, razão ou sorte, mas também poderemos perder a chance de mudar o nosso mundo e o do próximo, por que não? Talvez seja essa a maior lição que o filme nos deixa.

Vale muito a pena naqueles dias em que não se quer nada muito intenso nem tão hollywoodiano, mas inteligente e leve. Espero que tenham sido motivados a prestigiar essa obra. Abraços!

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#68 – Biutiful

Biutiful Direção: Alejandro González Iñárritu
Duração: 148 minutos
Ano de lançamento: 2010
Prêmios:
– Melhor ator para Javier Bardem em Cannes 2010
– 15 outros prêmios em festivais mundiais

Este filme estava na minha lista do IMDB fazia tempos e eu não nunca havia parado para assisti-lo. Finalmente o fiz na sexta à noite e agora chegou a hora de escrever sobre as minhas reflexões e impressões, espero que gostem…

A mesma história poderia ter sido piegas se não tivesse sido filmada da forma como foi. O diretor foi capaz de misturar vários tabus de maneira tão densa que tudo no fim se transforma num tapa na cara do telespectador. Uxbal (Javier Bardem) é o centralizador de todo o medo, angústia, mal estar e contradições, decorrentes da vida que leva, e isso por si só já nos deixa bastante incomodados.

São retratados temas como a homossexualidade, religião, contrabando de produtos falsificados, exploração de mão-de-obra, corrupção e morte, é claro. Tudo isso vai se fundindo no decorrer do tempo e deixando o clima mais pesado, tenso e triste a cada cena.

Uma coisa que descobri somente depois de assistir é que o diretor deste é o mesmo que de filmes bastante conhecidos, como por exemplo 21 gramas, Amores Brutos e Babel. O único que já vi foi Babel e foi bem na época do lançamento, acho que não tinha maturidade suficiente para fazer uma reflexão muito profunda sobre. Quanto aos outros pretendo assistir em breve.

O nome Biutiful a principio é bastante estranho mas o origem dele é explicado ao longo da trama, de muito interessante inclusive.

Com certeza um filme para ser assistido mais de uma vez e muito bom para incitar discussões sobre vários temas que as vezes evitamos. São assuntos para os quais as vezes fechamos os olhos como se não existissem e no fim da contas nos tornamos todos responsáveis, mesmo que indiretamente.

Abraços e bom começo de semana para todos que acessaram e tiveram paciência de ler até o fim.

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