#71 – Azul é a cor mais quente (La vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2)

Azul é a cor mais quente Direção: Abdellatif Kechiche
Duração: 179 minutos
Ano de lançamento: 2013
Prêmios:
– Palma de Ouro em Cannes 2013
– 40 outros prêmios em diversos festivais mundiais

Hoje temos mais um título francês. Diferente de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, este é intenso. É praticamente impossível permanecer indiferente aos personagens e seus medos, receios e sonhos. O principal argumento do filme é um assunto que está em alta, principalmente aqui no Brasil: o relacionamento homosexual.

Não acompanhei nem assisti a tal novela das 8, onde os atores que representavam um casal homossexual protagonizaram um beijo gay no último capítulo. Isso repercutiu em tudo quanto é rede social e/ou sites de notícias e ainda continua rendendo assunto. Hoje mesmo eu li uma reportagem sobre um pastor que entrou com uma ação judicial contra a rede globo por causa da cena. Fato é que ainda ainda existem pessoas muito ignorantes e quadradas, como é o caso do tal pastor, que disseminam esse pensamento homofóbico e acabam incitando, mesmo que inconscientemente, o ódio, o preconceito e a desrespeito ao próximo.

Para o homossexual imagino que já seja suficientemente constrangedor perceber que sua atração e tesão são motivados por outra pessoa do mesmo sexo, e que isso na maioria dos casos difere da maioria. Imaginemos isso na adolescência, onde já existe a dificuldade de ter que lidar com o processo de aceitação pessoal e do grupo ao qual estamos inseridos. Onde houver preconceito, julgamentos precipitados e ódio, essas pessoas tenderão a se esconderem, a se reprimirem e a se isolarem para terem ao menos um pouco de paz.

Adéle, uma das personagens principais, vivência todas essas experiências negativas no primeiro 1/3 do filme. Quando ela conhece e se apaixona por Emma, a tensão dá lugar a paixão e passamos a acompanhar os dias agradáveis que se seguirão. A partir do momento em que tudo parece estar em perfeita sintonia, o drama passa a ser focado no relacionamento. As emoções e frustrações compartilhadas, a solidão mesmo estando na multidão, submissão, euforia, entre outros, são tratados no universo íntimo das personagens.

Muito se comentou sobre a cena de sexo lésbico que dura +- 10 minutos. Bom, a cena por si só ou em outro contexto seria bem pornográfica, ou no mínimo erótica. Porém ela está tão bem inserida no contexto dramático que se torna bela e poética. É possível ver a intimidade, a cumplicidade, a paixão, o amor e é claro, o prazer em cada segundo da cena, incrível!

É destaque a atuação da atriz Adèle Exarchopoulos, que conseguiu representar com maestria a evolução de sua personagem.

Quem ainda não o fez, não deixe de conferir esta obra!

Abraços e aguardem que logo virão mais textos, não estou conseguindo escrever no mesmo ritmo que assisto.

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