#67 – Hannah Arendt

hannaharendtDireção: Margarethe von Trotta
Duração: 113 minutos
Ano de lançamento: 2012
Prêmios:
– 4 prêmios e 7 indicações em diversos festivais.

Dubito, ergo cogito, ergo sum” (René Descartes)

É certo que a maioria dos leitores deste blog não falam latim nem grego, mas Hannah Arendt estaria pronta para me defender, dizendo a você que deveria entender ambas línguas. Obrigado, Sra. Hannah!

É intrigante pensar que existem pessoas à frente do tempo em que vivem. George Orwell, Martin Luther King, Hannah Arendt, entre outros, certamente são exemplos disso. Particularmente, não conhecia essa filósofa e através do filme aprendi um pedacinho de sua história, talvez um dos mais polêmicos. Em 1963, a filósofa e personagem principal dessa obra, uma judia sobrevivente do holocausto, escreveu uma série de artigos para o jornal The New Yorker a partir da cobertura jornalística que faria do julgamento de Adolf Eichmann, nazista responsável pela morte de milhares de judeus, que depois se tornaria o livro entitulado “Eichmann em Jerusalém”.

O fascínio pelo pensamento aliado à sua coragem a fez constatar, e sobretudo divulgar, questões muito além do óbvio ululante e que muitos se recusaram a analisar. Seus escritos, apesar de imparciais, foram recebidos como uma grave ofensa aos judeus, chegando alguns acusá-la de nazista. Mesmo diante das críticas ofensivas e reações histéricas, como descreveu à época, não titubeou e defendeu seus pensamentos até a morte. Certamente essa posição inflexível teve muitos reflexos em sua vida pessoal e lhe custaram várias amizades de longa data.

Esse episódio particular da vida de Hannah lembrou-me o caso de Marilyn vos Savant e o problema de Monty Hall. Mesmo possuindo um dos QIs mais altos do planeta (228), a sua resposta a uma pergunta aparentemente simples, mas que negava o “óbvio”, renderam-lhe milhares de ofensas e rejeições. Quase mil PhDs dos EUA lhe enviaram cartas com tom de ira e refutando qualquer possibilidade de ela ter razão. Ironia ou não, ela estava certa! Mesmo apresentando uma prova matemática formal da resposta correta para um dos maiores matemáticos do século XX, Paul Erdös, este só admitiu que estava errado após um colega preparar uma simulação computadorizada com centenas de testes provando a teoria de Marilyn. Quem quiser ler mais sobre este caso pode encontrá-lo no capítulo 3 do livro O Andar do bêbado, de Leonard Mlodinov.

Hannah e Marilyn, mesmo sendo personalidades reconhecidas pelos seus méritos, não foram poupadas das ofensas e ameaças ao defender suas ideias publicamente. A autoconfiança dos seus pensamentos é o que as diferenciaram das demais pessoas, muitas delas desencorajadas a questionar, a raciocinar e a não causar desavenças, mas que estão prontas para atirar a primeira pedra em quem o faz.

Enfim, um título bastante encorajador para aqueles que ainda prezam por pensamento e racionalidade. Vale muito a pena assistir!

Muito obrigado aos que chegaram até aqui e um grande abraço.

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#66 – Petrel Hotel Blues (海燕ホテル・ブルー)

Petrel Hotel Blues Direção: Kôji Wakamatsu
Duração: 85 minutos
Ano de lançamento: 2012

Estou de volta com os meus devaneios sobre mais um filme assistido, que eu pude curtir ontem, quando bateu uma saudade de ir ao cinema e por acaso descobri que estava acontecendo o festival Indie – Mostra de Cinema Mundial – em BH. Escolhi então um filme japonês para prestigiar o festival.

É um drama beaseado em um romance de Yoichi Funado e que tem trilha sonora do ex-Sonic Youth, Jim O’Rourke. Petrel Hotel Blue é um dos últimos filmes que Wakamatsu realizou antes de morrer em outubro de 2012.

O mais interessante de se assistir um filme estrangeiro é poder observar as manifestações culturais presentes naturalmente no enredo, ainda mais quando a cultura é diferente da qual estamos habituados. Neste titulo, principalmente em relação à honra, podemos visualizar alguns valores nipônicos com os quais não temos muito contato, e essa experiência por si só é muito legal. Quando você acha que o personagem vai agir ou reagir de uma forma, ele nos surpreende a cada cena, sugerindo valores morais e éticos daquela sociedade específica.

Achei ótimo também o trabalho de sonoplastia em algumas cenas, como as de um cigarro sendo fumado, tornando-as uma mini atração dentro do contexto do filme.

A interpretação que eu fiz da história foi desencadeada principalmente pelo final. Para mim o diretor desejava mostrar que pessoas cujos atos danosos do presente ou do passado, tendem a buscar uma falsa redenção em um deus perfeito, acreditando cegamente em algo sem se importar com o mundo ao seu redor. Isso faz com que eles sejam escravos de si mesmos e não consigam perceber que já estão condenados, independente da sua veneração.

Gostaria que mais pessoas vissem esse filme e pudessem discutir, já que não achei quase nada sobre ele, nem mesmo no IMDB. Espero que se sintam motivados para tal e que possamos nos comentários enriquecer minha percepção.

Abraços e até o próximo!

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#65 – Acordar para a Vida (Waking Life)

Revivendo o blog, espero que gostem!

Waking Life Direção: Richard Linklater
Duração:99 minutos
Ano de lançamento: 2001
Prêmios:
– Melhor filme do Festival de Veneza em 2001;
– 4 outros prêmios em festivais diversos.

Ontem mesmo, durante o filme, eu postei no facebook que meu cérebro iria derreter caso eu não desse uma pausa. Bom, tudo ocorreu da melhor forma possível e eu sobrevivi, do meio para frente torna-se mais tranquilo (ou isso ou eu que me acostumei mesmo).

2 pontos a se destacar: 1) Estética diferenciada e com forte apelo visual; e 2) Conteúdo extremamente intelectual.

Tudo foi filmado com atores reais e cada cena foi redesenhada com o auxílio do computador, dando um aspecto vetorizado a umas cenas e mão-livre em outras. O fundo flutuante em certas cenas e os efeitos para complementar as idéias dos personagens me causaram mal estar em boa parte do tempo, quase a sensação de estar assistindo A Viagem de Chihiro novamente… bêbado! 😛 Tirando isso o resultado final é muito interessante, tem tudo a ver com a história que é contada.

Sobre o lado intelectual, são praticamente 90 minutos de reflexão filosófica sobre a vida, a morte, os sonhos, a natureza humana e uma inundação de pensamentos de grandes pensadores como Aristóteles, Platão, Sarte, Nietzche entre outros que eu não ousaria tentar reconhecer… A palavra inundação não foi usada por acaso, ela representa exatamente como as informações são lançadas para o telespectador ao longo do filme.

Uma obra realmente complexa, com abertura para inúmeras interpretações, porém encantadora. Realmente me instigou a continuar refletindo sobre algumas das várias questões abordadas, algumas que inclusive já fizeram parte de discussões com amigos. Recomendo a todos que tenham um pensamento inquieto e/ou que gostariam de olhar algumas das nossas questões existenciais por outra ótica. Deixo aqui também o link para uma página que encontrei onde podemos acessar boa parte, senão todas as reflexões do filme.

Abraços!

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#64 – O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland)

O Último Rei da Escócia Direção: Kevin Macdonald
Duração: 121 minutos
Ano de lançamento: 2006
Prêmios:
– Prêmio de melhor ator principal para Forest Whitaker no Oscar de 2007
– Globo de Ouro de melhor ator em filmes de drama para Forest Whitaker em 2007
– Outros 35 prêmios em diversos festivais internacionais

Domingo costuma ser um dia preguiçoso, fim de tarde também. Pensar nos dois juntos já é motivo suficiente para postergar qualquer atividade que exija o mínimo de raciocínio e concentração e é por este motivo que o texto só saiu hoje, segundona! Aqui vamos nós…

Uma produção que não pode ser usada como única fonte de referência histórica, pois apesar de narrar uma época infeliz na história de um país e que assumiu proporções mundiais na década de 70, o diretor não fez questão de explorar nem se aprofundar nas questões políticas, diplomáticas e históricas da época, o que é uma pena para os aficionados por história. Por outro lado, o foco colocado em cima do General Idi Amin durante os anos em que governou Uganda (1971-1979) faz com que o espectador fique instigado a conhecer um pouco mais sobre o período e os fatos e por conta própria acabará conhecendo um pouco mais sobre esta atrocidade cometida por ele e seus seguidores.

Em certas cenas o tapa nas nossas caras é bem forte e nos faz pensar em quão maldoso e cruel o ser humano pode se tornar, mesmo estando escondido atrás de máscaras. Segundo relatos da época, que eu li depois do filme, a personalidade do General Amin foi retratada com fidelidade. Ele era irônico, sarcástico e popular ao mesmo tempo que era tirano, sádico, manipulador e intolerante.

Para mim o destaque do filme vai além da boa atuação do ator Forest Whitaker, papel que lhe rendeu um Oscar no ano seguinte. Uma análise da personalidade do personagem Dr. Nicholas Garrigan pode render algumas boas horas de discussão entre amigos ou interessados.

Real ou não, o jovem europeu recém graduado em medicina e que por escolha própria decide trabalhar em Uganda, em uma comunidade com o mínimo de recursos possíveis, nos faz questionar os reais motivos que o levaram a tomar tal decisão. O que ele pretendia de verdade? Ajudar ao próximo através da sua profissão ou apenas aproveitar seu diploma para extravasar o seu lado destemido e aventureiro? Acredito que escolher ajudar pessoas que possuem menos ou nenhuma condição é um ato de nobreza sim, mas fazer isso para alimentar o próprio desejo faz pensarmos que tudo não passa de puro egocentrismo.

Também podemos enxergar que se de fato o Dr. Garrigan existiu ele estava cego demais e era muito inocente para enxergar o que as suas decisões lhe causariam. Apesar de aparentemente bem intencionado ele não resistiu as tentações e acabou entrando correndo em uma grande cilada. O seu vislumbre pelo poder e reconhecimento o fez seguir por um caminho tortuoso e que quase acabou lhe custando a vida. Se tomarmos o Dr. como exemplo podemos nos comparar a ele, nem que seja por algum momento passado de nossas vidas, e porque não admitir que somos ou já fomos imaturos igual ao personagem? Pensem…

Até logo!

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#63 – The Doors

Direção: Oliver Stone
Duração: 140 minutos
Ano de lançamento: 1991

Fazia muito tempo que eu estava com esse filme guardado na minha cinemateca, sempre esperando um dia melhor para assistí-lo. Finalmente resolvi deixar de frescura e apertar o play logo, afinal o melhor dia é sempre hoje! =D

É um título que se propôs a contar a rápida trajetória de uma das bandas mais polêmicas dos anos 60/70 e que na minha opinião teve o objetivo alcançado. Pelo o que eu já conhecia da história e pesquisei no pós filme, o diretor conseguiu encaixar dentro de 140 minutos a criação, ascensão e fama, as performances e os fatos marcantes e o declínio do The Doors até a morte de Jim Morrison em 1971. É um registro temporal bem específico, com exceção do início que relata um fato ocorrido quando Jim tinha apenas 4 anos. Aliás, essa história bastante intrigante e que foi contada pelo próprio cantor refletiu em várias canções do grupo. Segundo os pais de Morrison tal fato nunca existiu. Real ou fictício, Jim acreditava que um espírito indígena o acompanhava e isso também foi retratado na película.

Destaque para o ator Val Kimer, que além da sua atuação como protagonista estava fisicamente muito parecido com Jim Morrison, o que faz a experiência de assistir o filme ficar ainda mais imersiva.

Filme obrigatório para os amantes dessa controversa banda e para todos aqueles que gostam de música e que desejam voltar no tempo do Rock’n Roll clássico. Espero que também gostem.

Abraços…

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#62 – O Paciente Inglês (The English Patient)

Direção: Anthony Minghella
Duração: 162 minutos
Ano de lançamento: 1996
Prêmios:
– Ganhador de 9 Oscars no ano de 1997, incluindo melhor Filme
– 2 Globos de Ouro em 1997
– Outros 45 premiações ao redor do mundo

Gosto demais de filmes no estilo presente contando o passado, é como viajar no tempo através dos pensamentos de um ou vários personagens. E nesse título as transições temporais são suaves e bem marcadas. Duas histórias paralelas unidas pelo personagem principal e que são agradáveis de acompanhar. O filme é longo, meio cansativo em algum momento do tempo, mas dá pra segurar as pontas, mesmo porque a cena inicial é a que dá história ao filme e ao mesmo tempo é quase o seu fim, quem não fica curioso para saber o que acontece a partir dali?

O romance dos personagens não é chato, aquela coisa melancólica que por vezes cansamos de ver no cinema, aqui a “realidade” é levada em conta e se mistura com as intrigas matrimoniais, políticas e sociais, muito interessante!

É um título que merece ser assistido mas não acho que seja essencial na minha cinemateca. Fez história pela quantidade de prêmios que ganhou e é um bom filme de romance, claro! Tem várias figuras conhecidas do meio cinematográfico, o que também conta bastante a favor de popularidade.

Quem gosta de romances não irá se arrepender…

Abraços e até o próximo!

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#61 – O Ditador (The Dictator)

Direção: Larry Charles
Duração: 83 minutos
Ano de lançamento: 2012

Mais um título do polêmico Sacha Baron Cohen, que fez fama com seu personagem Borat. Embora eu tenha assistido apenas partes de Borat (e não gostei do que vi), acredito que O Ditador siga a mesma linha: Críticas escrachadas e diretas à figuras públicas, sociedades e grupos porém com várias cenas desnecessárias e de mal gosto, na minha opinião. Tais cenas fazem com que o conceito do filme caia consideravelmente mesmo existindo outras que são excelentes e piadas muito boas.
Amigos(as) que assistiram Borat disseram que foi exatamente essa a impressão que tiveram e por isso a comparação foi inevitável.

Retirando as cenas desnecessárias, o filme se torna muito divertido. As piadas são tão ácidas e diretas que não tem como não rir. Muito do que é retratado, de forma cômica é claro, nós já vimos ou ainda vemos acontecer no mundo, principalmente nos países onde o regime predominante é a ditadura. Poucos tem/tiveram a audácia de criticar dessa forma. Escancarar a realidade no cinema através de piadas e com certo exagero nos faz rir da própria desgraça.

Pretendo assistir ao filme Brüno, assim que o fizer publico minha opinião por aqui…

Espero que tenham gostado e quem assistiu, comentem o que acharam. Abraços!

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